Capital Europeia dos Golfinhos

Todos já ouvimos os nossos pais e avós contarem que antigamente havia golfinhos no rio Tejo. Faz parte do folclore de Lisboa. Reza a história que eles desapareceram em meados dos anos 70, devido ao aumento da poluição no rio Tejo.

Antes da fundação da ECCO Ocean (proprietária da Lisbon Dolphins), em 2014 a APCM (Associação para as Ciências do Mar) investigou em profundidade os registos históricos, para tentar encontrar suporte para este mistério português.

Foram encontrados vários registos em jornais e revistas, referindo-se a golfinhos avistados no rio Tejo no século XX e até mesmo no século XIX, e relatando avistamentos frequentes de golfinhos nos rios Tejo e Sado. Encontraram-se registos ainda mais antigos que remontam ao século XVI, onde golfinhos e baleias eram retratados em pinturas, mas eram referidos como peixes, nereides e tritões.

 

As baleias costumam acabar por morrer depois de serem vistas no rio

Ficou claro que os golfinhos realmente existiam no rio. Analisando fontes mais recentes, observa-se que não houve diminuição significativa das ocorrências após os anos 70. Na verdade, houve até um aumento nas últimas décadas. No entanto, isso não pareceu estar relacionado com os golfinhos, mas sim com a melhoria da conectividade e do compartilhamento da informação. O aumento do turismo náutico também  “colocou” mais olhos no rio, aumentando a probabilidade dos golfinhos serem vistos.

Os golfinhos que surgem no rio Tejo não são residentes nem são os mesmos indivíduos que vivem no rio Sado. No entanto foram encontrados relatos de 2 golfinhos do rio Sado em Lisboa em 1988 e 1990. No Tejo os golfinhos estão apenas de visita, passando em média algumas horas no rio à procura de peixe. O rio Tejo é excecionalmente profundo, com um perfil em forma de U com 30m de profundidade, atingindo 60m de profundidade na margem sul. Assim, o rio Tejo é profundo o suficiente para que espécies oceânicas se sintam confortáveis para entrarem no rio. Já foram vistos golfinhos 40km mais a montante em Vila Franca de Xira.

O memorial mais notável a estes golfinhos está na base dos pilares da ponte de 25 de Abril. Lá estão pintados as espécies mais avistadas no rio Tejo, o golfinho comum, o roaz-corvineiro, a orca e o cachalote (Physeter macrocephalus). Para além das espécies pintadas, também existem registos de baleia-comum e de cachalote pigmeu (Kogia breviceps) no rio.

Em 2019, houve 8 avistamentos de golfinhos dentro do rio Tejo. Um de roaz corvineiro e o resto de golfinhos comuns. Tanto em 2018 como em 2019, foram registradas cachalotes-pigmeus no centro da cidade que morreram.

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